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SERTÃO, EM CHÃO DE DEUS, DE SÉRGIO DA MATA
 

O sertão é a mais fascinante categoria espacial do Brasil dos séculos XVIII-XIX. O sertão transpira ameaça e mistério; espaço polissêmico em que as noções de fronteira, esconderijo e deserto se confundem. É verdade que ele pode ser considerado, e ainda o é, uma categoria geográfica. O que não significa que seja possível reduzí-lo a um espaço fixo, claramente delimitado. Se existe uma forma de contemplá-lo numa perspectiva próxima da que dele tinham os mineiros antigos, esta certamente não será a do formalismo racionalista, mas sim algo que se aproxime daquela “geografia mítica” que propunha Cassirer. [1]

Foram poucos os historiadores que se detiveram sobre este tema, a despeito do “retorno do espaço” à agenda das ciências humanas nos anos recentes. A força da perspectiva formalista é exemplificada pelo estudo de história regional de Mata-Machado
[2] sobre o sertão noroeste de Minas Gerais e pelo amplo balanço feito por Emanuel Araújo. Um importante salto qualitativo deu-se com os estudos de Carrara, que aborda o sertão não apenas enquanto espaço econômico e social, mas também como uma das “categorias primeiras da percepção geográfica” dos antigos mineiros. [3] Porém, ao se ocupar com o sentido da palavra sertão, Carrara não destoa das definições correntes. Para ele foi a baixa densidade demográfica “a característica dominante” da percepção sobre o sertão nos dois primeiros séculos da história de Minas
[4], tal como para Araújo a idéia de “grandes vazios incultos e desabitados aparece como um dos elementos definidores da noção de ‘sertão'”. [5]

Vejamos o que disseram os viajantes europeus a respeito. Para Eschwege, “dá-se o nome de sertões às regiões onde pouca ou quase nenhuma civilização foi introduzida, por conseguinte, aos espaços quase ou totalmente desabitados”. [6] Segundo Saint-Hilaire a palavra sertão designa “uma espécie de divisão vaga e convencional determinada pela natureza do território e, principalmente, pela escassez de população”. [7] Spix e Martius encontravam-se próximos de Montes Claros quando anotaram o seguinte: “achamo-nos agora no sertão, como denominam os mineiros a vastidão deserta, na sua linguagem usual”.
[8] Burmeister se expressa nestes termos: “O sertão é para o brasileiro o que o ‘far-west’, além de Ohio, é para o norte-americano. A terra incógnita é por ele (…) considerada um deserto árido e abandonado, para o qual somente iria em caso de extrema necessidade. O que de lá vem nada significa e quem lá mora não se pode considerar verdadeiramente mineiro“. [9] Todavia Langsdorff, ao passar pela região de Curvelo, dá-nos uma visão distinta: “O sertão (interior) não é tão deserto e agreste como descreveu St. Hilaire. Já estamos no sertão, e ainda é uma região fértil e habitada”.
[10] Será mesmo a baixa densidade populacional o critério fundamental de definição do sertão? Talvez algumas indicações a respeito da “localização” dos sertões e o perfil de seus moradores ajudem-nos a esclarecer a questão.

Durante o século XVIII e boa parte do XIX, o sertão está um pouco por toda a parte: rumo sudoeste, a partir de Formiga; a oeste, toda a comarca de Paracatu; praticamente todo o Vale do São Francisco; no meio-norte, a partir de localidades como Lagoa Santa, Pompéu e Curvelo; mesmo a leste, nas densas matas do Vale do Rio Doce; e sudeste, uma boa porção da Zona da Mata. Isso explica por que o termo “sertão” vinha normalmente acompanhado de um outro, especificando-o segundo peculiaridades topográficas, divisões administrativas, etc. Este sertão genérico de que falam a maior parte dos viajantes não reflete, como bem insiste Carrara, a “pluralidade e variedade” com que a categoria era concebida na Minas da época.
[11] Relacionado a este aspecto, há um outro fator complicador. O sertão é um espaço fluido, sem fronteiras claramente definidas. Estas fronteiras – e conseqüentemente: a “localização” do sertão – podem variar tanto ao sabor das concepções espaciais (Raumauffassungen) de um grupo social específico quanto, historicamente, em função das transformações impostas à paisagem. Saint-Hilaire diz ter encontrado no sertão de Paracatu um casal que tinha “a mesma vaidade de julgar que esta zona não pertencia ao sertão; o deserto, diziam, só começa além de certas monhanhas que se encontram entre esta região e o São Francisco”.
[12] O caráter relativo da categoria pode ser claramente observado no caso de Itaipava. Após o declínio da produção cafeeira nas primeiras décadas do século XX, Willems constata uma “inversão ocorrida na localização do ‘sertão’, que passou de oeste a leste. A princípio, Itaipava era um posto avançado à ‘boca do sertão’. Outrora, o sertão era Minas e São Paulo. Atualmente, os moradores de Itaipava chamam de ‘sertão’ as áreas cobertas de mata virgem da Serra do Mar”. [13] Finalmente, mudanças a nível estrutural, por exemplo as acarretadas pelo avanço da urbanização, evidentemente têm um impacto imediato sobre a percepção coletiva a respeito do espaço sertanejo. Há uma boa dose de verdade na afirmação de Guimarães Rosa de que a cidade “acaba com o sertão”. [14]

Em que pese esta fluidez, a imagem que se fazia destes espaços era, via de regra, negativa. Impossível, diz Bento Fernandes Furtado, o exercício da justiça “em um sertão onde, sem controvérsia, campeava a liberdade sem sujeição a nenhuma lei”.[15] Teixeira Coelho afirma que um certo Manuel Nunes Viana, morador “nos sertões da comarca do Sabará”, e outros que a ele tinham-se aliado andavam “fazendo-se, pelas mortes e violências que tinham executado, o terror dos povos”. O mesmo autor narra ainda o esforço de colonização promovido por Dom Antônio de Noronha, empenhado que estava em conquistar os “vastos sertões que ficam ao lado do sul do Rio Doce”, que eram então cheios de cachoeiras “e infestado[s]de índios“.[16]
A abertura do caminho novo entre as minas e o Rio de Janeiro no início do século XVIII fez com que a Coroa portuguesa decretasse a proibição da colonização dos sertões da Mantiqueira. Foi precisamente esta proibição que permitiu o alastramento dos grupos de bandidos naquela região. [17] Somente quando a produção de ouro entrou em franco declínio é que surgiram iniciativas oficiais no sentido de ocupar aquela área. Dom Rodrigo José de Menezes manda então que “se penetrassem os sertões incultos, e juntamente os da Mantiqueira, abaixo proibidos a título de servirem de barreira, ou de impedimento aos descaminhos do ouro”.[18] Do lado oposto da capitania as ameaças à ordem colonial não eram menores. Além da busca do ouro, um dos motivos que levou Inácio Correia Pamplona a percorrer o oeste de Minas foi o combate aos quilombos ali estabelecidos. Lê-se no diário de uma de suas expedições que, em 6 de novembro de 1769, foram avistadas algumas casas que se julgaram pertencer a quilombolas, pois “no sertão não mora mais ninguém“.[19] Século XIX adentro, os viajantes fazem referência a vários arraiais e vilas do sertão que deviam sua origem a delinqüentes de toda espécie. Araxá teria sido formada “na maior parte, (…) de malfeitores, fugitivos de outras partes de Minas e de Goiás”. De Formiga, diz-se que “criminosos perseguidos pela justiça se vieram refugiar neste lugar remoto e contribuíram para aumentar-lhe a população; os habitantes não gozam de boa fama”. A vila do Tamanduá tivera, segundo consta, a mesma origem: ela “deve os seus fundamentos a criminosos que vieram, há uma centena de anos, procurar um asilo no seio das florestas de que a região é coberta”. Os moradores do Arraial de Formigas eram “como filhos do sertão, mal afamados como brigões e por seu banditismo”.[20]

A idéia generalizada de que o sertão é antes de tudo um espaço escassamente povoado não corresponde ao sentido de que era investido o termo. Um dos documentos do Códice Matoso revela que os primeiros exploradores das minas vieram das regiões mais populosas do Brasil “e também do sertão, que é muito extenso e tem muita gente”.[21] Boa parte da banda oriental de Minas, à época povoada por diversas nações indígenas e coberta por densas florestas, também recebia a denominação de sertão. O ponto-chave a elucidar é: por que paisagens tão radicalmente distintas entre si, como são o oeste e o leste de Minas Gerais[22], puderam um dia ser designadas pelo mesmo termo?

Primeiramente, porque ambos eram espaços cercados de interdições – por vezes interdições de ordem legal, como vimos –, nos quais prevalecem forças que o homem comum prefere evitar. Não se trata de espaços vazios (no sentido de Simmel) e muito menos de espaços “profanos”. Na verdade o sertão é um espaço sagrado; mas um espaço sagrado que se coloca num plano oposto ao dos santuários e patrimônios religiosos. O princípio que nele domina é sobretudo o do sagrado nefasto. Uma extensão, enfim, dominada pelas “trevas exteriores, o mundo das ciladas e das armadilhas, que não conhece lei nem autoridade, e donde sopra uma ameaça permanente de mácula, de doença e de perdição”.[23] A existência de doenças e epidemias – as temidas sezões – no sertão contribuiu para reforçar este temor. Spix e Martius legaram-nos um testemunho interessante, ao descreverem sua chegada em Salgado (atual Januária): “os nossos tropeiros declararam que não iriam adiante conosco. O medo das febres perigosas nestas regiões apavorava a todos, e, depois que o capataz de Minas Novas havia escapulido, durante a noite, em Capão, não havia meio de reter os outros.”[24] Lembremo-nos que, para a mentalidade da época, a doença nunca é um fato puramente biológico. As formas de cura invariavelmente envolviam o sagrado, e a escassez de médicos certamente reforçava tais concepções. Um espaço onde grassam doenças, onde grassam miséria e crime, não pode ser um “chão de Deus”.

A penetração e o estabelecimento dos bandeirantes no sertão da Casa da Casca foram dos mais difíceis porque, além de ser este “muito agro e falto de víveres silvestres, por serem tudo matos e aspérrimas brenhas”, estava o mesmo sertão “povoado de bravos e orgulhosíssimos gentios”.[25] Na sua tentativa de incrementar a ocupação da Zona da Mata e do Alto Rio Doce, Dom Rodrigo de Menezes adentra os sertões dos Arrepiados, então ocupados pelo “gentio Puri, nação bárbara e guerreira”. Do alto de uma serra ele vê “sertões tão dilatados, quais a vista pôde alcançar, povoados de diversas nações de índios bravos e feras”. Dirigindo-se para o noroeste, passa por Ponte Nova e, tomando o cuidado de munir-se de uma escolta, penetra na região dos Botocudos. “É este o bravo Botocudo devorador da carne humana, e senhor de toda aquela dilatada mata”. Dom Rodrigo conclui que “aqueles sertões tinham geralmente ouro”, mas “se achavam infestados de gentilismo”.[26] Os sertões de matas não foram menos temidos pelos naturalistas europeus. Segundo Eschwege, “a região mais perigosa que os viajantes têm de atravessar é chamada floresta ou mata dos Puris (…) que se compõe de pura mata virgem e tem cerca de uma légua de largura. Há inúmeros exemplos de que aqui os selvagens atiraram flechas em animais e cães de viajantes a fim de os provocar, mas sem nunca terem matado qualquer pessoa”.[27] Spix e Martius ficaram particularmente amedrontados ao passar pelas florestas nas imediações de Piranga:

“(…) escura como o inferno de Dante fechava-se a mata, e cada vez mais estreita e mais íngreme, a vereda nos levou por labirínticos meandros, a profundos abismos (…). Ao horror, que esta solidão agreste infundia na alma, acrescentava-se ainda a aflitiva perspectiva de um ataque de animais ferozes ou de índios inimigos que a nossa imaginação figurava em pavorosos quadros, com os mais lúgrebes presentimentos.”[28]

O testemunho de Pohl atesta o misto de fascínio e temor suscitados por uma floresta no Campo das Vertentes:

“Penetramos imediatamente num corte de selva, cujas grossas árvores de formas para mim completamente desconhecidas, eram entrelaçadas, em estranhas voltas, por parasitas arbóreas; as quais (…) formavam, por assim dizer, um tecido impermeável aos raios solares e que, como cordoalha de navio, se movia ao mais leve impulso. Essa imagem agiu poderosamente em meu espírito. Com temeroso respeito atravessei essa abóboda da selva, o escuro dessa floresta, que, com as figuras indefinidas, me apareceu como um grande segredo da natureza.”[29]

Os riscos, imaginados ou reais, que cercavam os sertões de matos incultos montanhosos e penhascosos[30] ajudam a explicar por que a política de colonização do leste mineiro na segunda metade do século XVIII privilegiou, antes de mais nada, os delinqüentes e vadios. Em 1768 o governador Luís Diogo Lobo da Silva afirma que somente pessoas com este perfil se sujeitariam à “calamitosa e miserável vida e riscos” necessários à colonização.[31] O Conde de Valadares, por sua vez, determina o envio dos vadios à conquista do Cuité “porque como a conservação desta conquista era necessária, e se não podia conseguir sem que nela houvesse um corpo de tropas da dita qualidade, mais conforme à razão o ser a mesma tropa composta de homens vadios e facinorosos, do que de homens bem morigerados e precisos para a cultura de terras”.[32] A estratégia tem continuidade com Dom Rodrigo de Menezes em 1783, quando se chega a apoiar com víveres, ferramentas e roupas o estabelecimento daquelas “pessoas insignificantes” no sertão do Caeté.[33] As conseqüências que poderiam advir do contato entre delinqüentes (sem dúvida numerosos) e os diversos povos indígenas que ali habitavam não pareciam tirar o sono das autoridades coloniais.

Aos olhos de muitos dos moradores das vilas de Minas Gerais, há dois tipos básicos de habitantes do sertão: delinqüentes (criminosos foragidos, vadios, salteadores, quilombolas) e índios. Russel-Wood percebeu-o bem, e se aproximou de uma caracterização adequada do conjunto de imagens e sensações suscitados pelo espaço sertanejo quando sugeriu que “civilização e ortodoxia terminavam onde começava o sertão”.[34] O nível de difusão de expressões religiosas periféricas, para- e anti-institucionais foi sem dúvida uma marca da religião sertaneja. Segundo Saint-Hilaire, “tem-se, em todo o sertão, grande fé em sortilégios (…). O feiticeiro, que por ocasião de minha viagem tinha maior fama, era um negro livre que habitava uma povoação dependente do termo de Minas Novas. Apesar do preconceito em geral vigente contra sua cor, vinham consultá-lo de muito longe, e o negro esperto comprava escravos, e ia constituindo para si uma habitação excelente”.[35]

Para o homem comum o sertão é o negativo do espaço habitável “normal”. Difícil encontrar na literatura brasileira uma exploração tão profunda do complexo de imagens que o envolve como a que foi feita por Guimarães Rosa. Como na história de Turíbio Todo, que foge rumo ao norte de Minas após cometer um homicídio. O irmão da vítima se convence de que o assassino fugira para Piedade do Bagre (atual cidade de Felixlândia), onde tinha parentes: “Quando chegasse na Piedade – para adiante não havia terras aonde um cristão pensasse ir –, (…) tratava de voltar nos passos”. Como Augusto Matraga, que, em seu refúgio no sertão norte, diz para si mesmo: “P’ra o céu eu vou, nem que seja a porrete!”[36] Ou ainda na reflexão do jagunço Riobaldo: “sertão é onde manda quem é forte, com as astúcias. Deus mesmo, quando vier, que venha armado!”.[37] Quando, em 18 de setembro de 1781, Dom Rodrigo de Menezes regressa a Mariana depois de sua incursão pelos sertões dos Arrepiados e do Caeté, sua primeira ação é seguir para a igreja matriz a fim de oferecer um Te-Deum “em ação de graças da felicidade daquela perigosa viagem”.[38] Cassiano Ricardo cita o caso de um bandeirante que, antes de embrenhar-se sertão adentro, profere a seguinte oração: “Peço ao anjo São Gabriel e ao santo do meu nome e ao anjo de minha guarda me queiram acompanhar e livrar dos demônios”.[39] Ritos de incorporação e de separação que inevitavelmente se realizam à entrada e à saída de um espaço sagrado.

O sertão compreende uma síntese tipicamente brasileira de motivos que, pelo menos na tradição européia, cristalizam-se em torno do complexo de imagens deserto-floresta:[40] refúgio, ameaça, espaço de transgressão (ou de expiação) no qual a justiça humana e mesmo a divina não vigoram. Num sentido mais amplo, para os antigos mineiros, o sertão se caracteriza sobretudo por ser um espaço incivilizado. Não basta que aquelas regiões sejam habitadas se seus moradores não se mostram capazes de domesticar o próprio espaço em que vivem. O sertão é, em outras palavras, a antítese de tudo aquilo que uma parcela significativa da população brasileira dos séculos XVIII-XIX julgava ser a “civilização” (e aqui já nos encontramos diante dos fundamentos da visão de um Euclides da Cunha). Esta noção de “civilização” resumia-se a três critérios fundamentais, e intimamente relacionados entre si: submissão ↔ urbanização ↔ religião. Os arraiais, e em especial as vilas, são os loci a partir dos quais o ideal civilizatório ocidental-cristão se difunde. É ali que a natural compulsão dos homens para o crime pode – assim se supunha – ser controlada pelas instâncias de poder jurídico e policial;[41] é também ali, sob a ação educadora e/ou missionária da Igreja, que “pessoas insignificantes” e “selvagens” podem ser salvas de sua “superstição”, de seu paganismo e finalmente trazidos à “verdadeira” comunidade dos crentes. O sertão é, pois, o reverso da cidade: um espaço ainda livre de toda e qualquer forma de domesticação.

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[1] Cassirer, Ernst. Philosophie der symbolischen Formen. Darmstadt: Wissenschaftliche Buchgesellschaft, 1994.

[2] Mata-Machado, Bernardo. História do sertão noroeste de Minas Gerais (1690-1930). Belo Horizonte: Imprensa Oficial, 1991.

[3] Carrara, Ângelo A. Agricultura e pecuária na capitania de Minas Gerais (1674-1807). Tese de doutorado, UFRJ, 1997, p. 149.

[4] Carrara, Ângelo A. “O ‘sertão’ no espaço econômico da mineração”. In: LPH – Revista de História (6) 1996: 40-48, p. 43.

[5] Araújo, Emanuel. “Tão vasto, tão ermo, tão longe. O sertão e o sertanejo nos tempos coloniais”. In: Del Priore, M. (org.) Revisão do Paraíso. Rio de Janeiro: Campus, 2000, p. 80.

[6] Eschwege, Wilhelm L. v. Journal von Brasilien. Weimar, 1818, vol. I, p. 10.

[7] Saint-Hilaire, Auguste de. Viagem pelas províncias de Rio de Janeiro e Minas Gerais. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1938, vol. II, pp. 247-248.

[8] Spix, J. B. v. & Martius, C. F. P. v. Viagem pelo Brasil. São Paulo: Melhoramentos, 1976, vol. II, p. 65.

[9] Burmeister, Hermann. Viagem ao Brasil através das províncias do Rio de Janeiro e Minas Gerais. Belo Horizonte: Itatiaia, 1980, p. 224. Grifo nosso.

[10] Da Silva, Danuzio G. B. (org.) Os diários de Langsdorff. Campinas/Rio de Janeiro: Asociação Internacional Langsdorff/Fiocruz, vol. I, p. 220.

[11] Carrara, “O ‘sertão’ no espaço econômico da mineração”, p. 42.

[12] Saint-Hilaire, Viagem às nascentes do rio São Francisco e pela província de Goiás. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1944, vol. I, p. 279. Esta relativização também é invocada por Rosa logo nas primeiras linhas de seu opus magnum: “O senhor tolere, isto é o sertão. Uns querem que não seja: que situado sertão é por os campos-gerais a fora a dentro, eles dizem, fim de rumo, terras altas, demais do Urucuia. Toleima. Para os de Corinto e do Curvelo, então, o aqui não é dito sertão?”. Rosa, Guimarães. Grande sertão: veredas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986, p. 7.

[13] Willems, Uma vila brasileira. Tradição e transição. São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1961, p. 27.

[14] Rosa, Grande sertão, p. 156.

[15] Códice Costa Matoso [CCM]. Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro, 1999, p. 193.

[16] Coelho, José João Teixeira. “Instrução para o governo da capitania de Minas Gerais (1780)”.  In: RIHGB 15 (7) 1852: 255-481, pp. 348-349, 358. Grifo nosso.

[17] Anastasia, Carla. “Salteadores, bandoleiros e desbravadores nas Matas Gerais da Mantiqueira (1783-1786)”. In: Del Priore, M. (org.) Revisão do paraíso. Rio de Janeiro: Campus, 2000, p. 124.

[18] “Descrição geográfica, topográfica, histórica e política da capitania de Minas Gerais. Seu descobrimento, estado civil, político e das rendas reais (1781)”. In: RIHGB (71) 1908: 117-184, p. 174.

[19] “Notícia diária e individual das marchas e acontecimentos…”. In: Anais da Biblioteca Nacional (108) 1988: 53-113, p. 79. Grifo nosso.

[20] Eschwege, Wilhelm L. v. Brasil, novo mundo. Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro, 1996, p. 106; Saint-Hilaire, Viagem às nascentes…, vol. I, pp. 150-151, 140; Spix e Martius, Viagem pelo Brasil, vol. II, p. 68.

[21] CCM, p. 197.

[22] Uma bela síntese descritiva desta verdadeira “encruzilhada de paisagens” que é Minas Gerais foi feita por Bernardes, Nilo. “Fisionomia da terra”. In: Cesar, G. (org.) Minas Gerais – Terra e povo. Porto Alegre: Globo, 1970, pp. 1-10.

[23] Caillois, Roger. O homem e o sagrado. Lisboa: Edições 70, 1988 (1939), p. 52.

[24] Spix e Martius, Viagem pelo Brasil, vol. II, 83.

[25] CCM, p. 170.

[26] “Descrição geográfica, topográfica…”, pp. 176-179.

[27] Eschwege, Journal von Brasilien, p. 56-57.

[28] Spix e Martius, Viagem pelo Brasil, vol. I, p. 193. Grifos nossos.

[29] Pohl, João E. Viagem no interior do Brasil. Rio de Janeiro: INL, 1951, vol. I, p. 223. Grifos nossos. O fato de que esses três relatos advém de autores alemães está longe de ser mera coincidência. Röhrich mostrou que a floresta ocupa no imaginário popular alemão um lugar muito mais destacado que em mitos de sociedades indígenas latino-americanas. Röhrich, Lutz. Märchen und Wirklichkeit. Wiesbaden: Steiner, 1974, pp. 201-202. Parece plausível que os naturalistas citados não estivessem tão distantes deste pano de fundo popular quanto se poderia crer.

[30] CCM, p. 171.

[31] Citado por Anastasia, “Salteadores, bandoleiros e desbravadores…”, p. 123.

[32] Coelho, “Instrução para o governo da capitania de Minas Gerais”, p. 348.

[33] “Descrição geográfica, topográfica…”, p. 181-182.

[34] Russel-Wood, A. J. R. “Frontiers in Colonial Brazil: reality, myth, and methaphor”. In: Covington, P. (ed.). Latin American frontiers, borders and hinterlands. University of New Mexico, 1990, p. 37.

[35] Saint-Hilaire, Viagem às províncias…, vol. II, p. 252. Conferir o retrato que faz Guimarães Rosa da figura do negro feiticeiro nos seus contos “São Marcos” e “Corpo Fechado”. Rosa, Guimarães. Sagarana. Rio de Janeiro: José Olympio, 1983, pp. 221-249, 271, 277-280. Ver também Carrato, “A crise dos costumes na Minas Gerais do século XVIII”. In: Revista de Letras (3) 1962: 218-248, pp. 240-241.

[36] Rosa, Sagarana, pp. 143, 338. Grifo nosso.

[37] Rosa, Grande sertão, p. 18.

[38] “Descição geográfica, topográfica…”, p. 180.

[39] Ricardo, Cassiano. Marcha para oeste. Rio de Janeiro: José Olympio, 1939, p. 336.

[40] Gehrts, Heino. “Der Wald”. In: Janning, J. und Gehrts, H. (Hrsg.) Die Welt im Märchen. Kassel: Röth, 1984, pp. 37-53; Le Goff, “Le désert-forêt dans l’Occident médiéval”. In: Le Goff, J. L’Imaginaire Médiéval. Paris: Gallimard, 1985,  pp. 66 e 70.

[41] A crítica de Gonzaga (“E aonde se amontoam os viventes/ em cidades ou vilas, aí crescem/ os crimes e as desordens aos milhares”; in: Cartas Chilenas. São Paulo: Cia. das Letras, 1996, p. 213) deve ser vista como uma exceção ou, quando muito, como uma posição minoritária no quadro da época

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